O que se passa nos escapa e o Imponderável se anuncia aos solavancos. Quando habitava minha cidade natal, já cultivava certo olhar estrangeiro. Tudo já estava lá, ainda que turvo: a truculência, a interpretação de um Deus vesgo e a marcha crescente e indiscreta em transformar delinquentes em heróis. Pelo local ser curto e as pessoas serem obrigadas a se aguentar, ódios e amores se misturam, tornando as relações opacas, desviantes, suportáveis apenas com doses maciças de álcool e hipocrisia. Por viverem sempre à espreita do olhar de outrem, estão sempre querendo mostrar opulência, ostentando um sorriso amarelo e um suposto bem-estar oriundo da Família, valor que ninguém julga, todos cultuam e carregam, de algum modo, certa sequela. A insistente obrigação em ostentar, vício social degenerado em ganância, torna todos endividados uns dos outros, e quem controla as dívidas, descontrola a vida. Os jovens, abstinentes de virtude, procuram ressonâncias nos tolos que melhor aparentam alguma suposta vitória, na verdade, apenas uma atuação sofrível que tangencia com falsa elegância a tragédia. Tragédia do social que apodrece diante dos suspiros de quem percebe a queda e finge pra si mesmo que a vertigem se cura com comprimidos; vigilância que perde dia a dia a eficácia da precisão. Voltar meu olhar ainda mais estrangeiro pra cá constata a triste confirmação de que a deterioração se acelera, que o caos e a tragédia dançam triunfantes perante desgovernados por monarcas moribundos, viciados em extorquir. A minha solitária jornada em diagnosticar a peste que é cultivada como um bem se torna surda-muda, encontrando ecos em apenas uns breves momentos de lucidez, que se apagam na próxima torção de uma ética perdida. Tento voltar minha tênue esperança pros que almejam algum além e constato que suas ferramentas são, provavelmente, insuficientes. A cidade se mostra habitada por fantasmas que se condenam a perpetuar ao infinito a mesma tragédia. A tragédia se torna evidente quando o Imponderável emerge, como a morte estúpida de um jovem de afetos selvagens, que já anunciava há muito seu destino sinuoso. A cidade assiste os urros da mãe com a mesma dor com que a ignorância se instala nos hábitos duros de cada um. Vão novamente clamar a um Deus-pai que nunca possui credibilidade. Mais uma vez, percebo que se sussurra um convite sutil a habitar outros platôs, e mais uma vez, vejo essa vertigem passar por eles e ser ignorada, não por incapacidade, mas pelo império do mesmo, por preguiça existencial, em verdade, a única doença que, de fato, existe. Aqui, me resta alertar aos ouvidos que possam realmente escutar esse choro, e crer que esse esforço possa servir pra alguém levantar uma sobrancelha diante do circo de horrores e ao menos desviar em algum grau seu caminho rumo a alguma Alegria possível.
Druam
por: Nelson Job (impura ficção através de múltiplas realidades)
Druam
29.12.24
16.9.23
mu(n)Dança
Mundo desocidentalizado
incidente mundial
Mundo orientalizado: oriente-se
Mundo desorientado
acidente servido al dente?
Desmundo desbundado ou
mundofilia TDAAAAAAHHHHH...?
Do iPhone ao iMundo:
mude o mood
Aqui, me mu(n)do.
31.5.22
Lançado o romance "Druam"
Depois de mais de 10 anos com o blog de contos "Druam", Nelson Job lança agora o romance inédito "Druam"!
SINOPSE: Com nanobots no corpo e vivendo num mundo em que são comuns manipulações genéticas, Inteligência Artificial consciente e integrada, Governo único, controle populacional, eventos virtuais com avatares diversos, alienígenas telepatas atemporais e adimensionais; o protagonista descobre abruptamente uma capacidade crescente de percepção de sua continuidade com o mundo, além de uma intensa capacidade de interferência nele. Surge uma oportunidade única em dissolver a barreira vibracional, possibilitando uma liberdade inédita e radical para todos.
ONDE ENCOMENDAR:
Amazon: clique AQUI
Estante Virtual: clique AQUI
Magazina Luiza: clique AQUI
Um Livro: clique AQUI
“Druam” é o primeiro romance de Nelson Job, pesquisador transdisciplinar, doutor pelo HCTE/UFRJ, psicólogo, criador dos transaberes e autor dos livros “Vórtex: modulações na Unidade Dinâmica” e “Confluências entre magia, filosofia, ciência e arte: a Ontologia Onírica”.
6.3.21
poestÉticaos
Adeus ao método.
Adeus ao impermeável.
Adeus ao absoluto.
Adeus ao imutável.
Adeus à filiação.
Adeus à consequência.
Adeus à centralidade.
Cada um tem seu jeito de estragar a poética.
Cada encontro, um devir-pororoca.
A deus, um apre(e)nder
A nós, um contagiar
A mim, um ressoar
Ao vórtex, uma vertigem
À linha, uma precisão
À expressão, um sair ainda mais de si
À modulação, uma gargalhada
Ao espaço-tempo, aqui e agora
Ao todo, caos.
Só há boa-nova a partir do impensável.
Só há liberdade, se alegria.
Vidapreguiçacoexistência
Foguear:
17.9.18
Futuro-máquina
2.9.18
Alastremos
Então queime
Queime os resquícios da monarquia
Queime a rachadura entre providos em excesso e desprovidos
Queime a letargia do gado
Queime a crença em líderes
Queime a fé que cristaliza
Queime o mito do brasileiro cordial: o erudito e o mal entendido
Queime a ilusão de nação
Queime o poder
Queime nas chamas dos filósofos do fogo
Queime nas fagulhas da criação
Queime no crepitar da emergência
Emergência da horda
Sejamos horda
Sejamos um e muitos
Fogo e fagulhas
Alastremos!

