Druam

Druam tende a estar sendo uma experiência "ficcional" em devir. Os contos têm sua ressonância conceitual nos blogs "Cosmos e Consciência" e "Oniric Ontology". O atrator de ambos é Nelson Job?

Livro "Ontologia Onírica" de Nelson Job

Livro "Ontologia Onírica" de Nelson Job
Livro de Nelson Job que relaciona os saberes construindo uma nova apreensão dos sonhos com desdobramentos para para a acontecência. Para mais, clique na capa.

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ÍNDICE: Contos

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28.5.15

Ternuras em Desmundo

Se quiseres uma onda que faça esqueceres dos corpos e das dores, das durezas e tangibilidades opacas; 
se ousares um amor que te arraste pro desfora de ti:
mergulhe em Nós, nós que mundo, que Outros, urgente que sei lá. 
Desabitar palavras, povoar outroras, chegar no acolá. Vem nestes aquis, habite este não sei. 

Vem!

25.10.14

Existência, um Clichê

 All at sea again
                         And now my hurricanes have brought down this ocean rain
"Ocean Rain" Echo & The Bunnyman


Num é bem esse negócio de “morrer”, sabe? A coisa é outra. Despachei-me no exercício de deixar de Ser. Pois que sim; primeiro, ao menos de memória, me veio assim... de sonho?, o universo, esse aqui, do Ser e, junto - não sei bem se “antes e depois” ou “níveis ou gradações”-, outras possibilidades de universos em que não se (i)manifestavam pelo Ser, mas por outra coisa que não sei explicar ou descrever. Esses depoimentos do Ser não servem pra exprimir o que não é da (des)ordem dele...

Aí, precipito: primeiro, deixo de ver, esse vício de lidar com o mundo. Agora, quando muito, apenas olho (e “olhe” lá, heim?). Depois, paro de apreender. De “ser” Um com tudo, de me mesclar com as acontecências que avizinham. Em seguida, ou não, suprimo a emoção, que chegam pelos sons, pelos pássaros, pelo samba anunciando - entre a harmonia de suas curvas - a mulher. Ainda mais, ou não, corto as sensações, esse algo que se registra além das palavras. Em seguida, ou não, elimino as percepções, o calor do sol, o frescor dos ventos. Finalmente (será?), deixo de crer. Ainda que supostamente reste um Nada, nem nesse Nada creio, assim, ele evanesce. Exercito, então, um Qualquer. Tudo isso meio desajeitado, posto que a delicadeza pode demandar atemporais demais rumo às insignificâncias.

Aí, o que sucede é indescritível. Não tem cor, sentimento, intensidade, valor. Não tem por que não “é”. “É” outra coisa, ou melhor, não é Nada daquilo que você pensa, conhece, experimenta. Mas também não é o não-ser, que é apenas a negação do Ser. Seria outra coisa, mas aí as manifestações são da ordem do ser, o que me permite apenas negar isso. Ainda que tento afirmar: impensável, imperceptível, nem mutável nem imutável, nem sagrado nem profano, nem ínfimo nem infinito, nem nada entre isso.

O maior vício que me deparei foi o vício de Ser. As coisas são, não conseguem ir “além” disso. É preciso uma boa dose de outra coisa pra descoisar. O clichê da existência é implacável, ainda que as alcunhas de “inimigo” ou “amigo” apenas balbuciem insignificâncias.

“Daqui”, onde nem estou, tampouco é espaço, espreito a insistência universal no Ser, pois; impor deslimites bestifica tanto quanto limites. Num é que não pode, “poder” é um desdobramento do Ser. É que, bom... descoisar sustenta Lá seus outros estranhares.





15.10.14

mergUlhaMos

Mergulhamos juntos
Do trampolim dissipativo
rumo ao Incomensurável
onde as certezas recuam,
quando abdica-se do Tempo.
Mergulhamos juntos durante a Tempestade,
os sons da Vida ecoam e transmutam
valendo-se das alegrias: devir
Ainda assim, uma grande acolhida
do entre
que nos habita.
Ao longe, uma carícia se cultiva
um sorriso se insinua
um pertencer floresce
invaginado, imanente.
Os clamores mais estrangeiros se esguiam,
lírico horizonte,
nossa cumplicidade destrona o Mesmo
nossas acontecências são selvagens
nosso amor invade o Ser
Eu, dessou
Você, evanesce
Nós, emergimos
Aqui
Agora
UM







23.9.14

O Mais Sutil Frenesi

                        
Eu moro na coragem.
A coragem é a minha essência, a qual é amor da vida.
Nisargadatta

Ecoam solavancos silenciosos dos tambores. A cada batida, desritmada, as acontecências se mudam para o nada. Acordo para o mundo e tudo é lento, sutil frenesi. O que é meu explode em gentis mônadas prateadas ao firmamento. O campo, sempre novo, pululante e cativo, se anuncia, relembrando, me sendo. Mundo-energia-informação desvanecem, evanescem; não mais pedem importância. Pequenos amores sinuosos e cintilantes abdicam de seu trono em prol do Amor, esse sagrado anarquista selvagem.

Cosmos, meu amigo... Tempo, seu facínora etéreo... apenas circunvoluções pra nos distrair, mas isso é Tudo, não é mesmo?

Habito o Vazio, agora sei. As ondas do mundo batem e voltam, acariciando-o como um eterno convite fracassado rumo às coisas. Ainda assim, o mundo, ali, acarinhado.

A memória de outrora, insiste, exigindo lembrar momentos milenares em que tentativas foram frustradas em se assentar no Atemporal. Acolho as tentativas e solto-as no infinito Ser. Desmemorizo-me.

Ouço os mais lindos cantos formando egrégoras. Alegria. É.







6.7.14

Abismo Íntimo



(essa viagem não possui convidados, ainda que possa se arrastar alguns passageiros incisivos)

O escrutínio dos egos conduz ao Inventário dos Fracassos:
. De ser mais-do-que-homem: aquele que ama sem frangalhos. De olhar no olho  e garantir a verdade que outrora senti.
. De pertencer à História ao pleitear a linearidade e a coerência acima de tudo. Da saudade de mim.
. Do gritar “foda-se o mundo” querendo plateia; rebeldia programada.
. O medo do des-ser.
. Da ubiquidade da linguagem: a infecciosa preguiça do Uno.

Esse redemoinho que não para de iminenciar: todas aquelas pistas de que a alteridade é inevitável, preenchendo todas as fagulhas de permanências, trazendo-as à distorção. Devir possui seu mais velho preço: ser errante às convenções.

Ali, onde não sei, desconfio que sou. As leis desvanescem, o turbilhão irrompe. O Império do Mesmo tenta iludir, uma vez mais. Tarde demais.

Ontens, Eu. Agora, Abismos.



desDruam.



31.5.14

orAÇÃO

Das inúmeras turbulências que me compõem, a unidade fracassa, me tornando mais: pleno-me ao desdobrar em infinito. Especialista em não se deter em especialidades, modulando o fogo rumo à perfeição maior no uníssono entre instabilidade e consistência.

Há muito deixei de crer, apenas experimento, até atingir um espasmo remetendo a outro patamar, com leis diferentes ou até na ausência de leis; algumas vezes, apenas tons de mais ou menos contingências.

Assim, os ritmos constituem o fluir cósmico:
Nas alianças inesperadas,
nos rumores de um outro azul,
com a alegria dos despertos:
desde que surdos dancem
e estrangeiros, durante este arder, pertençam.

15.4.14

Selvagear

Em êxtase estamos.
Embriagados, sim, mas de um vinho que não se colhe na videira;
O que quer que pensem de nós em nada parecerá ao que somos. 


Por mais trágicos que fossem meus arroubos, algum bem deles emergiu. Pois muito que me anunciaram o impossível, o proibido, o errado: apenas nomes vazios dos medos e do controle alheios. É que peguei o jeito das tortuosidades e dele fiz meu norte. Ainda que se chore as leis do mundo para que me impeçam, de nada serviu; talvez diante disso, alucinei uma vergonha, um olhar perdido. Em seguida, quando minha respiração ressoava com as marés e os silvos agrestes dos tornados, eu sigo em frente, em frente, em frente...

Quando ela vem, no desjejum, com os cabelos ainda na boca e o olhar de indagação se o torpor de ontem ainda é; eu miro e amo cada pele, sinuosidade, molécula, o balé de sua estadia no mundo e amo nela, através dela, o cosmos. Nesse deslugar de nós, eu encontro as chamas do impossível e ardo em seu crepitar, expandindo o então existir. Abrindo os caminhos tempestuosos do Quase Nada, eu gargalho, então, diante do Insofismável.

Habito o Vortex, o improvável coração do entre, onde os aqui(s) confluem e se transformam. É meu lar, minha dor, meu clAmor. As velocidades dos fluxos cósmicos, a princípio desnorteados, entrelaçam-se em uma dança, dervixes estelares. Ao longe, as manias das convenções, fruta podre que caiu do cosmos. Uma lágrima escorre em minha vaidade, ousando desqualificar. Impedido de compartilhar as acontecências com cada coágulo, sigo, apreendendo o que puder, criando outras veias, outras rimas. Mas minhas companhias são imensas, tanto que muitas vezes não as contemplo por completo, ainda que me inunde de gratidão, nos vincos onde as fés falham e devires brotam.

Melodias anunciam que se seguirá um estrondo. Minhas vísceras ensinam-me algumas prudências. Parece que o Selvagem, mais selvagem estará.  Precipitam-se fagulhas da Tempestade. Sinto o calafrio. Onde muitos medram, eu apenas sorrio e experimento os novos passos da dança.