Druam

Druam tende a estar sendo uma experiência "ficcional" em devir. Os contos têm sua ressonância conceitual nos blogs "Cosmos e Consciência" e "Oniric Ontology". O atrator de ambos é Nelson Job?

Livro "Ontologia Onírica" de Nelson Job

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Livro de Nelson Job que relaciona os saberes construindo uma nova apreensão dos sonhos com desdobramentos para para a acontecência. Para mais, clique na capa.

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14.6.12

Deslocádia:

Parábola-r do Infinit(iv)o


Nunca possuí lar.

Nunca tive um lugar definitivo, aconchego na fuga da tempestade. Pois que muito me clama, num arroubo inspirado na lenda de Turner, em mergulhar no coração da tempestade, ainda que haja descansos provisórios em algum lugar em que se possa sonhar.

Em minha juventude primeira, os laços parentais insistiam em marcar definitivos, mas a estranheza me estranhava. Ao tornar a estranheza cada vez mais íntima, adquiri maturidade. A estranheza permea os sorrisos, a febre, o vinho, as mãos dadas, a farofa. Instalei-me nas cidades, bairros, sotaques, cadências, brindava um “ali”, nada que permanecesse. Tentar fixar o tempo em um lugar é apenas brincar de referências, adquirir ritmos; o despertar trazia consigo as esperanças e astúcias do olhar, astúcias, ai, implacáveis com a permanência.

Sobrava o Eu, que podia fornecer alguma constância. Aí veio o amor, a alegria, fracassando o projeto de Eu, deixando que a gargalhada pudesse ser emitida por alguns euzinhos mais insistentes.

Mas nada disso é um lar. O coração da tempestade é fugidio demais pra isso. Há, no entanto, as relações:
Habitar relações, chamo de ser,
dinamizar relações, vertigem,
destruir relações, doença
nenhuma relação, morte
cultivar relações, amor
multiplicar relações, triunfo.

Quando decidi abandonar aquela busca, descobri, por acaso, um lar possível: aquele do “para além”, verbo infinitivo do : lar.




Um comentário:

Carol Grether disse...

Lindo Nelson.Sincero,humano,visceral,otimista, minimalista,próprio, mas mais que autoral eu diria..

A emissão da gargalhada por euzinhos rs mais insistentes, ressoam com que fica da nossa apreensão, ainda que incipiente,equivocada às vezes,embaralhada..não importa. Apreendemos,absorvemos e introjetamos aquilo que podemos e desejamos. Você consegue transmitir como poucos.Na teoria sim, mas na prática ainda mais,na sua prática. Admiro demais tudo isso! Lindo texto!