Druam

Druam tende a estar sendo uma experiência "ficcional" em devir. Os contos têm sua ressonância conceitual nos blogs "Cosmos e Consciência" e "Oniric Ontology". O atrator de ambos é Nelson Job?

Livro "Ontologia Onírica" de Nelson Job

Livro "Ontologia Onírica" de Nelson Job
Livro de Nelson Job que relaciona os saberes construindo uma nova apreensão dos sonhos com desdobramentos para para a acontecência. Para mais, clique na capa.

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11.11.10

Epifania, soslaio


Os bêbados ficam embriagados no paraíso?


Minha única dúvida. Até porque, depois dessa dose, não sei mais o que pode existir.


As pessoas: sorrindo amarelo nas redes sociais, belezas de upgrades. Sociedade sedada, de sitcon, de cerveja morna, de antidepressivos, de blockbusters cara-que-gosta-da-garota-que-mata-dezenas-que-fica-com-a-garota-no-final-ambos-sujos-e-borrados-de-sangue-dos-vilões-terríveis-maldosos-com-traumas-contruídos-em-manuais-de-roteiros-feitos-com-psicanálise-de-butiquim. Pessoas que trepam com as picas e bucetas e não com os corpos que pululam de afetos quase mortos.


As instituições: a igreja com seus padres pedófilos e/ou sem crença, sem, principalmente, epifania. De que serve um templo que não evoca epifanias? Reza-se pra se sentir pertencente à mediocridade moderna de uma fé vazia, conto de fada que inibe o desespero, que inevitavelmente chega na morte dos queridos, quando o sentido pré-gravado falha. Bruxas velhas e xamãs alienados querem decretar: “O passado voltou!” Posso crer sem dogma? Você deixa? Deus deixa? Os líderes: quem acredita em um chefe, de empresa, de Estado? Egos frágeis que precisam mandar e serem obedecidos e, de preferências, adorados, pelas suas posses. Vício de acúmulo, de bonecos-placebo que obedecem e choram, já gargalharam, em uma infância prematuramente terminada pela obsessão paterna de que eles deveriam, a qualquer custo, passar no vestibular, ao preço de um presentinho e uma dose de Ritalina. Então, sim, a escola: quartel com soldados fardados ou de azul e branco e/ou de slogans. O general-professora pune com notas baixas, sem saberes, só com verbetes. Os alunos hão de escutar muito bem suas ordens com seus i-pods devidamente ligados.


As idéias: os conceitos esvoaçam na noosfera sôfrega, pedindo asilo na mais simples prática de amar, de cultivar qualquer carícia. As idéias, carentes de novos vetores, degeneram na repetição insossa acadêmica. A intelectuália repete as idéias e o mundo vai ficando acéfalo: muitas idéias minguando na repetição que não chega na terra. É na terra, no mais óbvio chão, que começo a comer. Um conceitozinho aplicado, por favor, nem que seja pra dar colo.


A arte: quero só um traço que nunca vi. Uma espontaneidade sem programa de computador, sem escola estética. Uma nota, atonal, que seja distorcida, mas que renove o desejo de dançar. Eis que um movimento inédito me faz rir, dentre zilhões de pseudossensibilidades, palavras ao vento, imagens-coágulo. Uma história sem morte, OK? Uma ousadia sem sangue, combinado? Menos FBI e mais (des)encontros na rua, nem que seja pra esbarrar com ternura.


Invadido da separatismo cósmico, olho pro tecido do real, espatifado, esmigalhado. As porradas seculares, milenares vão abrindo A Brecha. E Eu vou vendo a lacuna se instaurando, desfazendo os laços da Natureza. É isso que diziam “diabo”? Tamanha densidade energética, egoica, que destrói a leveza das fluxões, arromba até a mais tênue, a mais etérea das camadas? NãoquerovernãoqueroverissonãoexisteporranãomevenhacomesseNada






Contemplo, sem mais opções, o Nada. Adeus, então. Foi meia-bomba, adeus.


Nota pós-ontológica: ao ver o Nada, sou Nada, mas sou. Em mimNada, pululam copulazinhas de microalgumacoisa. Não que seja exatamente esperança, é apenas Outro Algo, soslaio cósmico...

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